Aluno de biologia da UFPA, bolsista do Instituto Evandro Chagas e estagiário do Laboratório de Neuroendócrinologia

sexta-feira, 5 de março de 2010

8 de Março

Sobre o 8 de Março Em 1910, a socialista alemã Clara Zetkin propôs, na 2a Conferência Internacional das Mulheres Socialistas, a criação do Dia Internacional da Mulher, que seguiu sendo celebrado em datas diferentes, de acordo com o calendário de lutas de cada país. A ação das operárias russas no dia 8 de março de 1917, precipitando o início das ações da Revolução Russa, é a razão mais provável para a fixação desta data como o Dia Internacional da Mulher. Com a revolução, muitos direitos foram pioneiramente conquistados, como o voto e elegibilidade feminina e o direito ao aborto. A partir de 1922, a celebração internacional é oficializada neste dia. Essa história se perdeu nos grandes registros históricos, mas faz parte do passado político das mulheres e do movimento feminista de origem socialista no começo do século passado. Numa era de grandes transformações sociais, o Dia Internacional da Mulher transformou‐se no símbolo da participação ativa das mulheres para transformarem a sua condição e a sociedade como um todo.





Fonte: panfleto do 8 de março do movimento de mulheres de SP.

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Cláudio Puty






Nesta segunda-feira ocorreu a cerimônia de posse dos secretários que assumem a SECULT, a SEDURB e a Casa Civil. Somente hoje, sexta-feira, tive tempo para escrever sobre isso. Mesmo sendo notícia antiga, achei importante escrever algumas notas sobre o Puty que deixou a Casa Civil e passou a assumir uma nova tarefa no gabinete da Governadora. “Rumo a Outubro” como ele próprio definiu em seu blog.




Conheci o Puty no final de 2007 quando ele era Secretário de Governo. Ele estava participando de debates com a juventude e propondo um entendimento de que a juventude tinha um papel estratégico a cumprir no novo modelo de desenvolvimento proposto para o estado. Na secretaria de governo ele estava coordenando a implantação das obras do PAC no Pará. Discutia a criação de um programa estadual de moradia. Dava os primeiros passos necessários para sediarmos o Fórum Social Mundial.




A SEGOV era enxuta e eficiente, reunia alguns dos quadros mais competentes do governo e contribuía com as demais secretarias potencializando e sincronizado suas ações. Trabalhava em parceria com a SEIR na regionalização das políticas públicas do governo e tentava agregar um conjunto de ações do Estado nos territórios mais carentes de políticas públicas.



A SEGOV, junto com a Casa Civil, era a principal representação política do governo. Deu respostas consistentes as “crises” ou pretensas “crises” nas áreas de saúde e segurança pública. Articulou melhoras na comunicação do governo. Negociava com o funcionalismo, negociava com os movimentos sociais do campo e da cidade, negociava com os temporários. Muita da atividade da SEGOV tinha a marca característica do Puty: a enérgica defesa da governadora e do Projeto Popular que ajudava a construir.



Com a saída do Charles, foi natural que o Puty assumisse a Casa Civil. Foram dois anos. Com a sua despedida na segunda-feira e sua nova tarefa no gabinete da governadora, cabe lembrar o importante papel que ele cumpriu ao longo desses três anos de governo.



A história não é inevitável, as coisas não acontecem independente da vontade dos indivíduos. Mas (antes de me acusarem de liberal), também não creio que a história seja resultado de meras opções individuais. Há um meio termo. Os indivíduos fazem história, cumprem um papel na história e são capazes de influenciá-la. Mas nada são sem um grupo, sem um projeto, sem uma classe. A passagem do Puty pelo governo até o presente momento é um interessante exemplo disso. Sem ele, muito não seria possível e nem teria se concretizado, na melhor das hipóteses, seria diferente. Mas ele é parte de um todo, de um projeto e da esperança de milhões de paraenses. Não só daqueles que o apóiam ou apóiam a governadora, mas daqueles que sofrem as duras condições contra as quais o Puty se indignou quando jovem e que decidiu dedicar a vida para combater: a miséria, as desigualdades, as elites irresponsáveis, o saque de nossos recursos naturais, a exclusão da juventude etc. Um “intelectual orgânico”, no conceito de Gramsci.



Assim, dentro da contribuição do Puty numa fatia desse enorme projeto comandado pela nossa governadora Ana Júlia, destaco: o sucesso do Fórum Social Mundial; a aprovação de projetos de lei da iniciativa da governadora como: meia-passagem estudantil intermunicipal, licença maternidade de 6 meses, regularização fundiária em áreas públicas estaduais, zoneamento econômico e ecológico; Investimento em políticas públicas de juventude: execução do PROJOVEM em âmbito estadual (o governo estava na ante-véspera de perder o prazo para a implantação do programa quando a Casa Civil o assumiu, hoje ele foi ampliado devido ao reconhecimento do governo federal da boa gestão do programa), PROCAMPO e a Casa da Juventude; o dialogo com movimentos sociais; a ampliação e consolidação da base do governo para as próximas eleições; o combate ao desmatamento ilegal da Amazônia; a regularização fundiária; os multirões da cidadania e muitos outros projetos e ações que ajudaram a consolidar a marca do governo popular e vão, sem dúvida, contribuir na reeleição da governadora.



Com essa mudança, o Puty continua no governo, mas deve sair em julho. Muitos o apontam como candidato nas próximas eleições. Gosto de olhar um cenário mais amplo. O PT paraense perdeu nos últimos anos duas importantes lideranças de esquerda com densidade eleitoral. Perdemos o ex-deputado federal Babá e o ex-prefeito de Belém Edmilson Rodrigues, ambos estão no PSOL e o primeiro mora no Rio de Janeiro (sem mencionar a Araceli, o Nery e a Marinor). O Puty representa, então, uma novidade. Uma pessoa que está se tornando numa figura pública com um bom potencial de votos, num momento em que o partido precisa recuperar sua rota de crescimento no eleitorado paraense. Por exemplo, com a candidatura do deputado federal Paulo Rocha para o Senado, provavelmente o PT perderia uma de suas vagas na câmara federal. Mas, tenho certeza que as candidaturas do Puty, do Carlos Martins, do Miriquinho e do Mário Cardoso podem não apenas assegurar essa vaga para o partido, como também até ampliar para mais uma.

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POSTAGENS PARADAS!!!

Caros Leitores,

Peço desculpas pela lentidão nos posts! Estou sem muito tempo.

Não desistam de conferir... De vez em quando aparece coisa nova.

Com tão pouco tempo disponível, é inevitável que meus assuntos estejam um tanto desatualizados...

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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

A Santa Casa de Misericórdia: Impasse de Modelos



Dia 24 desse mês a Santa Casa de Misericórdia completou 360 anos sendo a instituição de saúde mais antiga do Pará. Uma maternidade cuja história se confunde com a própria história de Belém.


Lugar onde mães deram à luz a milhares de paraeses, dentre os quais, autoridades, artistas, intelectuais, homens e mulheres do povo. Dizem que a Fafá de Belém nasceu lá, assim como o próprio ex-governador Almir Gabriel. Um hospital que é também um símbolo da saúde pública no Pará e no Brasil. Recentemente, em 2008, a maternidade teve seu nome associado a um crise envolvendo a morte de bebês. Das muitas história que poderiam ser contadas dessa tão antiga instituição, contarei uma que retoma essa época.

Nessa história, além da Santa Casa, mais dois personagens estão envolvidos: um grupo de comunicação muito conhecido na capital paraense que escreve um jornal diário que, por razões óbvias, chamarei apenas de "Grande Jornal Livre" ou JL e empresários de saúde também muito conhecidos.

Os empresários de saúde têm uma enorme empresa que em 2007 fatorou 200 milhões de dólares vendendo planos de Saúde. Isso mesmo, não são reais. Foram 200 milhões de dólares vendendo aquilo que a constituição nos assegura como direito. Esses empresários têm dificuldades com governos que investem em saúde. As vendas caem! Quanto mais segurança as pessoas tiverem em instituições públicas menos elas compram planos de saúde. A concorrência já é desleal. A saúde pública é de graça e se for de qualidade, quem pagaria um plano de saúde?


Mas as pessoas não estão todos os dias em Hospitais, adoecem vez ou outra, acompanham parentes, mas em média os freqüentam pouco. E quem lhes informa sobre a qualidade do sistema público de saúde? E sobre possíveis investimentos ou mudanças de paradigma que porventura ocorreriam com mudanças de governo? Quem lhes diz o que esperar caso adoecerem e precisarem de um hospital? Esse papel é da mídia. Ela informa, noticia, atualiza.


Em nosso caso, o JL, assim como os empresários, também acumula desafetos com mudanças de paradigmas no governo. Perderam regalias, perderam caixa que historicamente mantiveram em governos conservadores. Além disso, nada ganham com um sistema público de saúde. Perdem anúncios. Ganham, mesmo, público e dinheiro com notícias que chocam, notícias que vendem. São fortes candidatas: as mortes, os assaltos, as calamidades públicas, enfim, a bendita desgraça alheia.

Os empresários planos de saúde e redes de hospitais ganham mais e mais dólares com uma antiga fórmula. Uma fórmula que funcionou bem no Brasil desde 1990 mas que atualmente está em crise. É uma formula fatalística de todos os setores da economia que atuam em áreas substituindo o Estado, áreas como saúde, transporte, energia elétrica. O que fazem? Exploram as contradições do sistema público, associam a imagem das instituições públicas à lentidão, à incompetência, à pobreza extrema, à morte. O público são filas, são distratos, faltam médicos, faltam materiais, faltam profissionais, enquanto o particular é o trato fino, o ar condicionado, a eficiência, a tecnologia.

Os governos chamados neoliberais surfaram nessa lógica. Conciliaram a forte presença dessas empresas na opinião pública e promoveram um desmonte do sistema público de serviços essenciais como a saúde. Privatizaram, sucatearam, desorganizaram e atacaram de todas as formas os serviços públicos. A lógica era deixar o mercado tomar conta. Quem ganha mais de um salário mínimo tem um plano de saúde e há um plano ajustado a todos os níveis de renda. Tem o plano de uma consulta por mês, o plano com direito a helicóptero, o plano com enfarmaria, o plano com apartamento, o plano com direito a tudo, o plano com o essêncial. E a saúde pública? E os impostos que todos pagamos?


Essa história é antiga, muitos de vocês já conhecem. Mas e o que a Santa Casa de Misericórdia tem a ver com isso?


Em 2008 foram meses de ataques contra a nossa pobre Santa Casa. Mortes de bebês e fatos tristes da vida foram noticiadas sem dó nem pudor com as pobres mães que sofriam, com os familiares, com os médicos que trabalhavam para socorrer os bebês, com as enfermeiras, com os funcionários do hospital. Notícias sensacionalistas, exagenrando a suposta culpa da instituição, tentando atingir o governo e a governandora, tentando provocar uma repercussão política.


Nesse mesmo ano, os lucros de vendas do plano estavam em franca decadência. O grupo que detém o JL perdia 461 mil reais por mês e o desconto foi dado na pobre população que depende da saúde pública para viver, para dar à luz e nas pessoas que cotidianamente se esforçam para garantir um sistema de saúde digno para essa população.


Lendo notícias dessa época, encontrei no jornal palavras como "matadouro", "chacina", "carnificina", "maternidade dos pobres", "açougue".


Veja a imagem dessa manchete da época:





Quem iria querer ter um bebê na UTI da morte?






Quem iria querer depender de uma saúde pública fracassada?



Mas o pior veio depois. A maternidade atende casos graves de todo estado do Pará, crianças com pouca ou nenhuma chance de sobrevivência. Em meio à "crise", o respeitável jornalista Lúcio Flávio Pinto escreveu sobre o quadro clínico de 12 bebês que haviam morrido em três dias:



"Todos os 12 primeiros bebês mortos em três dias pesavam menos de 2,5 quilos, o que significa já estarem em condição de risco, sete dos quais prematuros (e quatro prematuros extremos). Dois dos bebês pesavam menos de um quilo. Dois eram gêmeos xifópagos (compartilhando o mesmo corpo). Outro, embora vítima de gastrosquise, que provoca exposição das vísceras, veio do interior do Estado de ônibus. Todos apresentavam má formação de órgãos (coração, pulmão e aparelho digestivo) ou infecção adquirida ainda no útero da mãe. Trinta por cento das mães eram adolescentes. Nenhuma delas fez pré-natal. Uma tinha apenas 12 anos de idade."



E leia a notícia dada pelo JL:



"Doze recém-nascidos morreram no último final de semana na Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará, a maioria estava na UTI e outros no berçário. A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Médicos do Pará (Sindimepa) a partir de relatos de profissionais que trabalham no hospital e temem ser responsabilizados pelas mortes, cuja causa provável foi infecção hospitalar.
Segundo os funcionários da instituição, são comuns situações de risco para os bebês internados, como superlotação e falta de equipamentos. Em alguns casos, até respiradores são divididos entre os bebês.



É só ler e comparar. Quem está mentindo afinal? Lúcio Flávio, um jornalista respeitado, crítico do Governo do Estado e perseguido pelo grupo dono do JL ou o próprio JL. Esse jornal recebe a publicidade e sabe-se lá qual outro "acordo" desses empresários de saúde e ganha muito com esse tipo de notícia.



O final da história.

- A Santa Casa de Misericórdia completou 360 anos, foi reformada, ampliada, recebeu novos leitos e tem um novo prédio que vai ser inaugurado. Ganhou um memorial que resgistra sua verdadeira história de mais de 3 séculos salvando vidas e oferencendo aos paraenses uma saúde pública digna e de qualidade;



- Os empresários sofreram uma queda de mais de 20% em seus lucros e estão em franca decadência;



- O JL fica para a segunda parte do drama. Aquela parte em que o velho não quer morrer e o novo precisa nascer.























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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O Serra e as Privatizações


Clique na imagem para ler o dossiê do Douglas Yamagata sobre o papel de José Serra nas privatizações. O post traz imagens da revista Veja da época em que ele foi Ministro de FHC.

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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Tarsila & Cecília

Eu sempre sonhei em ter uma filha.
A confirmação veio com o ultra-som de sábado.
Tem cinco meses.
Nasce dia 09 de julho.

A Gisele escolheu o nome Cecília. Perguntei ao meu filhote de cinco anos se gostava do nome. Ele disse que sim, mas que preferia Tarsila. Então ficou... Tarsila Cecília ou Cecília Tarsila. Temos quatro meses para decidir.

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Uma Bebê!!!


Quantos poetas

Românticos, prosas

Exaltam suas musas

Com todas as letras

Eu te murmuro

Eu te suspiro

Eu, que soletro

Teu nome no escuro

Me escutas, Cecília?

Mas eu te chamava em silêncio

Na tua presença

Palavras são brutas

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